«sempre me pareceu que tudo o que existe à minha volta tem vários níveis de entendimento. há momentos grandes disfarçados de pequenos, gente pequena mascarada de grande. confunde-se timidez com antipatia, rotina por vulgaridade, o afecto por interesse, a alegria como uma tolice. é um mundo misterioso este. a maior parte do tempo corre-se atrás de coisas sem importância e procura-se preencher o vazio que há em todos nós com as mais variadas inutilidades. Passamos ao lado dos pormenores mais insignificantes: os vidros embaciados, as mãos enrugadas pela água quente, o murmúrio nocturno das grandes cidades. ligamos a televisão e viramos canais à procura de qualquer coisa. no entanto aquilo que nos acalma e nos eleva está mesmo aqui à nossa volta. invísivel e inclassificável habita por baixo da camada de ruído permanente que nos envolve. e atrás de todo esse som há uma luz. e atrás desse muro há uma festa!»
(David Fonseca)
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