sei que ainda vou voltar
para o meu lugar
foi lá e é ainda lá
que eu hei-de ouvir cantar
uma sabiá.
nem quatro minutos de um chico a duas vozes tão do lado de cá. foram a senhora do monte do domingo de graça acima e abaixo. tão cheia de sol a nostalgia que nos une.
«digo:
lisboa
quando atravesso - vinda do sul - o rio
e a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
em seu longo luzir de azul e rio
em seu corpo amontoado de colinas -
vejo-a melhor porque a digo
tudo se mostra melhor porque digo
tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
porque digo
lisboa com seu nome de ser e de não-ser
com seus meandros de espanto insónia e lata
e seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
seu conivente sorrir de intriga e máscara
enquanto o largo mar a ocidente se dilata
lisboa oscilando como uma grande barca
lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
digo o nome da cidade
- digo para ver».
disse sophia.
que amor é este?
pergunto eu.
que amor é este?
pergunto eu.
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