20 outubro 2014

meu cá-e-lá

vou voltar 
sei que ainda vou voltar 
para o meu lugar 
foi lá e é ainda lá 
que eu hei-de ouvir cantar 
uma sabiá.
nem quatro minutos de um chico a duas vozes tão do lado de cá. foram a senhora do monte do domingo de graça acima e abaixo. tão cheia de sol a nostalgia que nos une. 
«digo:
lisboa
quando atravesso - vinda do sul - o rio
e a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
em seu longo luzir de azul e rio
em seu corpo amontoado de colinas -
vejo-a melhor porque a digo
tudo se mostra melhor porque digo
tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
porque digo
lisboa com seu nome de ser e de não-ser
com seus meandros de espanto insónia e lata
e seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
seu conivente sorrir de intriga e máscara
enquanto o largo mar a ocidente se dilata
lisboa oscilando como uma grande barca
lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
digo o nome da cidade
- digo para ver».
disse sophia.
que amor é este?
pergunto eu.

Sem comentários: