29 abril 2014

do que digo do coração para fora, vês em mim a pressa pelo desejo de dias lentos. no verde-alentejo das memórias que te contei. ou na doce sintra que quisemos juntos. ainda queres? e a ebriedade das noites na bica. ainda te lembras? descer ao cais e voltar já sem improviso na rota. desistimos da televisão e conversámos dias adentro. noites afora. entranha-te e dá-me a mão. fecha os olhos e arrisca-nos. dá-me o teu tempo. ou ensina-me a razão. tudo tão bonito tão certo e agora dizes que preferes perdurar um amor sem meses contados. sem cobranças. sem obrigações. e todas as coisas chatas que os outros - os que nada sabem do que somos e temos - teimam em definir como felicidade. tivemos a sorte do acaso. não percebes? vamos. só por aí. vem vem vem. tenho estado à tua espera. connosco na vontade. desassossega e enternece. queres ir ver rodrigo? ser casa-aconchego. chegar dos dias cheios, acertar as agulhas e deixar ecoar amor pelos quatros cantos dos poucos metros quadrados. perder as horas. meteres a chave na porta e seres o meu momento preferido. ter filhos. ser lisboa a muitos pés. subir a norte, visitar a casa-berço. mochilas às costas e desaparecer nas nuvens até chegar à américa. ler no teu colo e partilhar o conforto do nosso silêncio. lavar a tua roupa. desacreditar no vinicius. ser eterno para lá do que durar. anda lá, para sempre não é muito tempo.

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