27 novembro 2013


faz lembrar-me a régua e as manhãs a caminho da escola primária o pão fresco com manteiga que vou buscar depois das dez ao bar do senhor antónio. já não sei se é mesmo ou se é da saudade que aperta cada vez mais. de lá. do que deixei para trás e ao mesmo tempo está cá sempre no longe-e-perto que aprendemos a jogar. da tia mariana feliz e dos meninos. e da minha avó, que chora ao telefone e me pede para não ir às manifestações para não ser engolida pela multidão. do meu irmão rabugento. da diplomacia do meu pai no alcance de um abraço. do jeito de ser mãe da minha (dou por mim tantas vezes a ser tu a escolher detergentes). dos daqui a cinco minutos estou aí. do conforto e genuíno. das noites tranquilas e da companhia de uma casa cheia. de estar mais de dois dias sem ser a correr. ter tempo para todos e para mim. das caras conhecidas e de ser a filha da paulinha na mercearia. das meninas sempre à distância de algumas ruas de modéstia, que ainda no domingo me deixaram com um fim de semana em maravilhas com momentos para me agarrar quando o dia mais cruel decidir querer aparecer. 

Sem comentários: