22 outubro 2013

quando fui ter com o meu antigo director para ter a conversa da decisão - até então - mais difícil da minha vida profissional, disse-me ele que por muito que quisesse impedir-me, sabia quem tinha e que do que me lia, sabia-me a não desperdiçar oportunidades. conhecia-me no meu todos os dias o meu director. em nervos. em stress. em êxtase. em festival. no estúdio. em apoio. em directo. a reclamar por a gelatina ter desaparecido do frigorífico. aflita com minutos a mais. nos deslizes e nas falhas. nas minhas fragilidades. e no meu melhor. como ele, os mais próximos, à volta. desde os tempos da inexperiência até aos desabafos nos corredores já com a convivência acima da média ou nos depois de almoço em boa disposição. num jogo de cintura em nada minucioso deixei escapar muitos deles para a minha vida e hoje - mesmo longe do mesmo horário e pausas para café e cigarro nas escadas, onde deixei grande parte da inocência e preparei o corpo para as balas - continuam a ser o meu todos os dias. nos entretantos do trabalho (ainda) novo dei por mim a pensar que até então em nenhum momento me arrependi de ter mudado e de ter agarrado a oportunidade. sem saber se seria maior ou pior. deixei-me vir e tem sido bom. vim ao sabor da oportunidade com a certeza de um até já ao sempre sonho. e hoje julgo que mesmo que a vida assim não queira, foi um ficou lá trás bem feliz e vivido. e o que importa veio embrenhado em mim e vai comigo qualquer seja o destino. na hora de ter de escolher, soube que todas as situações que julguei ser a última prova de fogo por erros cometidos no cadastro afinal eram só mais uma oportunidade para os ultrapassar. e que outras iriam surgir e surgirão. se desperdiçar por si só já não é nada bonito. desperdiçar oportunidades - as duas palavras juntas - muito menos. de vez em quando a vida dá-nos uma ou outra de bandeja. muito raramente se repetem. lia-me muito bem, aquele meu director.
« i miss you here,
i love anywhere».

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