02 agosto 2013

querido blogue, tenho uma grave enfermidade chamada preguiça. já só escrevo mais ou menos quando nem curto cenas mais ou menos. não está bem, eu sei. mas uma pessoa entretém-se a viver e depois é isto. na quarta fui ao filme novo do brian de palma com a vera e marei. estava na mesma sessão que o david fonseca e o joão semedo do bloco de esquerda. quase me senti intelectual. por falar nisso, o kubrick fez anos na semana passada mas eu preferi comemorar com o 28 hotel rooms. todos os dias depois da uma, mais coisa, menos coisa, passo pelo mini preço e compro a diária pleno tisanas - de preferência chá verde e limão. hoje um puto, um ciganito, que deve ter ido fazer o favor de comprar caldos de galinha para a mãe cozinhar o almoço seguiu-me os passos todinhos - corredor dos enlatados, prateleiras dos chocolates (ai os maltesers. controla-te, caraças) enquanto muito sorrateiramente se dirigia a mim com um pomposo é só saúde, é só saúde. caixa para pagar e só risinhos com o amigo que entretanto se juntou e eu cheia de medo que estivessem a planear roubar-me toda. pago eu, pagam eles. saio primeiro e atravesso a rua. e o ruído das risadas voltaram não muito depois. mais uns é só saúde - que deve ter aprendido com o pai - até ao não aguentar do meu ignorar e soltar um É SÓ SAÚDE, MENINA!!!!!!! quase em desespero, tanto e tão alto que de certeza se ouviu no saldanha. só aí olhei para trás e sorri. achou piada à graça dele próprio, não voltou a abrir a boca e seguiu o seu caminho. é aqui que percebo que o que falta às pessoas é atenção. sim, as pessoas precisam de atenção. chamar a atenção. dar atenção. receber atenção. e por acaso saúde é coisa que até me tem faltado. porque entretanto senti-me mal no autocarro enquanto lisboa passava a correr pela janela e as dores de cabeça não me largam. é da idade. e os homens são uns ordinários. estou fartinha de alguns seres da espécie. não todos. acho que gramo mais ou menos de um. e há dois ou três de quem gosto desmesuradamente. são quatro, afinal. na segunda fui almoçar à rádio com a minha outra vida e matar saudades daquelas gentes. vivo num país onde ao que parece se brinca aos pobrezinhos enquanto os que têm a mania que mandam insistem em brincar aos sacaninhas. descobri beleza na fonte da telha e tem sido mesmo bom quando os fins de semana decidem estar verão. esta manhã a sofia chegou ao escritório com um presente para mim. adoro receber surpresas. estou a construir uma agenda de números fixos. bué old school. acho giro voltar a dizer: espera, vou ligar-te para casa. e ficar horas ao telefone porque é de borla e tal. mudei de casa há três meses e adoro tudo de novo. e ter telefone e receber correio em meu nome com contas da edp e da epal. estou crescida. uma mulher. e como qualquer mulher, naturalmente perdi-me da razão nos primeiros dias de saldos e desgracei-me em coisinhas que decoram lares. mais do que o que devia, mas eu preciso de cometer loucuras no tpm para sanidade mental das criaturas que me rodeiam. ando a tentar fazer um pacto com tudo o que não digo mas o karma é uma puta. o karma e a minha sorte: férias continua a ser assunto tabu mas graças a deus vou a paredes de coura. e levo amor. agora vou andando. tenho que ir ali a chicago num instante ver se baby duck diz os mesmos bonitos que disse aqui no pó do meco. mas não vai ser tão brutal.

1 comentário:

RB disse...

sanidade mental das criaturas que me rodeiam é tão bonito e altruísta :) É como o karma que é uma puta. o karma e a sorte.
:*