querido blogue, tenho uma grave enfermidade chamada preguiça. já só escrevo mais ou menos quando nem curto cenas mais ou menos. não está bem, eu sei. mas uma pessoa entretém-se a viver e depois é isto. na quarta fui ao filme novo do brian de palma com a vera e marei. estava na mesma sessão que o david fonseca e o joão semedo do bloco de esquerda. quase me senti intelectual. por falar nisso, o kubrick fez anos na semana passada mas eu preferi comemorar com o 28 hotel rooms. todos os dias depois da uma, mais coisa, menos coisa, passo pelo mini preço e compro a diária pleno tisanas - de preferência chá verde e limão. hoje um puto, um ciganito, que deve ter ido fazer o favor de comprar caldos de galinha para a mãe cozinhar o almoço seguiu-me os passos todinhos - corredor dos enlatados, prateleiras dos chocolates (ai os maltesers. controla-te, caraças) enquanto muito sorrateiramente se dirigia a mim com um pomposo é só saúde, é só saúde. caixa para pagar e só risinhos com o amigo que entretanto se juntou e eu cheia de medo que estivessem a planear roubar-me toda. pago eu, pagam eles. saio primeiro e atravesso a rua. e o ruído das risadas voltaram não muito depois. mais uns é só saúde - que deve ter aprendido com o pai - até ao não aguentar do meu ignorar e soltar um É SÓ SAÚDE, MENINA!!!!!!! quase em desespero, tanto e tão alto que de certeza se ouviu no saldanha. só aí olhei para trás e sorri. achou piada à graça dele próprio, não voltou a abrir a boca e seguiu o seu caminho. é aqui que percebo que o que falta às pessoas é atenção. sim, as pessoas precisam de atenção. chamar a atenção. dar atenção. receber atenção. e por acaso saúde é coisa que até me tem faltado. porque entretanto senti-me mal no autocarro enquanto lisboa passava a correr pela janela e as dores de cabeça não me largam. é da idade. e os homens são uns ordinários. estou fartinha de alguns seres da espécie. não todos. acho que gramo mais ou menos de um. e há dois ou três de quem gosto desmesuradamente. são quatro, afinal. na segunda fui almoçar à rádio com a minha outra vida e matar saudades daquelas gentes. vivo num país onde ao que parece se brinca aos pobrezinhos enquanto os que têm a mania que mandam insistem em brincar aos sacaninhas. descobri beleza na fonte da telha e tem sido mesmo bom quando os fins de semana decidem estar verão. esta manhã a sofia chegou ao escritório com um presente para mim. adoro receber surpresas. estou a construir uma agenda de números fixos. bué old school. acho giro
voltar a dizer: espera, vou ligar-te para casa. e ficar horas ao
telefone porque é de borla e tal. mudei de casa há três meses e adoro tudo de novo. e ter telefone e receber correio em meu nome com contas da edp e da epal. estou crescida. uma mulher. e como qualquer mulher, naturalmente perdi-me da razão nos primeiros dias de saldos e desgracei-me em coisinhas que decoram lares. mais do que o que devia, mas eu preciso de cometer loucuras no tpm para sanidade mental das criaturas que me rodeiam. ando a tentar fazer um pacto com tudo o que não digo mas o karma é uma puta. o karma e a minha sorte: férias continua a ser assunto tabu mas graças a deus vou a paredes de coura. e levo amor. agora vou andando. tenho que ir ali a chicago num instante ver se baby duck diz os mesmos bonitos que disse aqui no pó do meco. mas não vai ser tão brutal.
1 comentário:
sanidade mental das criaturas que me rodeiam é tão bonito e altruísta :) É como o karma que é uma puta. o karma e a sorte.
:*
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