antes de vir embora pediu para que puxasse uma cadeira. disse que tinha sido o mais bonito que tinha ouvido nos últimos tempos. mostrou-me otis redding em vozes de rua a tocar pela mudança. é nestas alturas que tenho de agradecer à vida as doces oportunidades que me dá ao colocar no caminho gente capaz de me fazer ver mais longe subindo a bordo da máquina do tempo. desse tempo em que a telefonia era apenas para os ouvidos e não para os olhos. a nme custava treze escudos num quiosque do rossio e se acertavam agulhas para estrear a grande malha que hoje faz parte da história. em que o verbo esperar ganhava forma conforme a vontade do senhor da cabine. por este tanto quero acabar o calendário a agradecer. pelo rock n' roll. pela she loves me not no máximo enquanto eu fazia podcasts. pelas estórias mirabolantes de há muito muito tempo eras tu uma criança, dizia. pelas dúvidas sobre definições em tardes atarefadas. por esta partilha. este cruzar de passado e presente. pelos led zeppelin antes de um cigarro. pela irreverência que me foi perdoada e pelo encontro de gerações que acreditam no mesmo. um ciclo não tem fins. só recomeços. às vezes é preciso dar-se dois passos atrás para se conseguir dar um em frente. portanto vamos adiante que o futuro é já ali.
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