as toalhas à beira mar longe das barracas e da gente e os pacotes de bolachas de aveia. as nossas preferidas. o discman e a bolsa dos muitos cd's com vários rabiscado a caneta de acetato. gravados a propósito do melhor mês de todos. as corridas ao chuveio. os cornetos de morango depois de almoço. a historieta com o nadador salvador e os passeios ao fim do dia no paredão. o cheiro a nívea depois do banho e o cabelo ainda a pingar pela casa fora. o casaco pelas costas para ir jantar peixe grelhado quando só queríamos bife com batatas fritas. assim foram os verões da minha adolescência. a maria e eu. o meu irmão, o dela. os meus primos e de vez em quando alguns amigos. os tios e a amizade de anos dos nossos pais. três semanas seguidas de manhãzinha ao pôr do sol. quando as férias eram meses. a maria. conheci-a na escola primária. fizemos juntas a primeira classe até que se mudou para o porto. circunstâncias quiseram que não faltasse assim tanto para me juntar a ela. não só no verão. mas principalmente no verão. já na idade dos amores fugazes e sofridos. dos telefonemas ainda para o fixo e os ralhetes quando chegavam as facturas. a internet veio não muito depois. a tempo de horas a fio de conversas messenger fora que lamentavam o regresso às aulas. contavam do curso de fotografia ou recordavam como o último tinha sido o melhor de tantos verões. até o seguinte superar. não me lembro do último agosto de toalhas estendidas longe dos pais e auscultadores nos ouvidos com as mesmas músicas até à exaustão. nem sequer me lembrava já de voltar a este lugar onde fomos sempre felizes sem compromissos e tempo contado. voltei há dias à nossa rotina e está quase tudo como deixámos. o bar da praia. o nublado que oferece de barato escaldões. as barracas forradas às riscas e a maré cheia depois da uma. nós continuamos por entre aqui algures e as nossas quinzenas descoordenadas. não sendo os mesmos os planos continuamos tão iguais às miúdas dos dias compridos e despreocupados que a distância (sempre a merda da distância) não afastou. o antes - por muito que tenha sido bom - já era. como bem diz a minha mãe.
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