era uma vez um par de óculos de sol. não eram uns óculos de sol quaisquer. um par bem bonito que vivia harmoniosamente feliz na minha cara na minha mala e na minha gaveta. usava tanto tanto que um belo dia resolveram ficar sem haste. não se partiu apenas ficou com um pequeno pormenor em falta para que tudo pudesse voltar ao normal. fiquei triste e pu-los de parte na esperança de um dia os conseguir consertar. o tempo foi passando e fui-me esquecendo deles. usava outros e até comprei uns idênticos para colmatar a falta que os bonitos óculos que a minha amiga inês me tinha oferecido me faziam. em fase de arrumações ontem encontrei-os. olhei bem para eles e pensei que às tantas já não me faziam falta e que não valia a pena estarem ali toda a vida à espera que eu tivesse tempo para eles. decidi então mandá-los para um mundo onde pudessem ter uma vida digna e voltassem - depois da devida reciclagem - a ser usados e apreciados por outro alguém. sentindo-me horrível a fazer aquilo pu-los numa caixa prontos para os tirar de casa e dar-lhes esse tal rumo. hoje quando nada fazia prever ao finalizar as lides entre os discos e os dvd's ali estava ela escondida a um canto a pecinha perdida que faltava para os completar. nem vou falar da alegria idiota que tenho em mim por voltar a tê-los na colecção mas entretanto comecei a reflectir no episódio e esta analogia encaixa que nem uma luva se quisermos ir mais além ao transportá-lo para o dia a dia corriqueiro. sem conclusões precipitadas ou julgamentos construídos no ar vale sempre mais pensar duas ou as vezes que forem precisas antes de abrir mão de seja o que for. se tudo o que vai volta há um esperar que compensa. e não é muito longe do inesperado que a espera se concretiza. é isto. um dia escrevo um livro. e tenho um filho. plantar árvores já está.
Sem comentários:
Enviar um comentário