há uns tempos em conversa com uma amiga pensei em abrir um espaço neste meu espaço. para os meus amigos. para que os meus amigos escrevam. qualquer coisa que lhes apeteça. sobre tudo o que têm pelas entranhas, de modo a condizer com o título deste coisinho. assim dei as honras da casa à sofia. que decidiu escrever sobre mim. é meio sem jeito que publico aqui. obrigada por isto. e por todos os nossos dias.
A Ana
A Ana
A Ana tem um jeito distraído de
falar. Às vezes a Ana fala connosco como se estivesse a falar só para ela. O
que é particularmente complexo quando estamos as duas no meio da rua, rodeadas
de Lisboa. A Ana diz “pititi”. Sorri e ri
como uma menina mas pensa como uma mulher e fala da mesma maneira. A Ana tem anéis. E tem unhas às
cores. Às vezes pintadas com dedicação, noutras pintadas apenas naquela
ligeireza dela. A Ana é mulher de paixões
assolapadas. Mas sabe quando tem de ser racional, e aí faz doer a ela mesma - e
aos outros, se tiver de ser. A Ana, quando embica para um lado, não sai desse
caminho nem à lei da bala. Não vale a pena aconselhá-la, acordá-la, avisá-la.
Mas, quando a Ana decide sair do tal caminho, fá-lo pelo próprio pé. E não
volta mais. Porque meias-tintas não são com ela. A Ana ouve músicas que pouca
gente ouve mas consegue pôr meio mundo a ouvi-las, e coleciona “likes” por
causa disso - no Facebook, sim, e desconfio que também na vida real. A Ana sabe tudo o que a expressão
“mais vale só que mal acompanhada” quer dizer, e leva-a à letra em todo o tipo
de circunstâncias. A Ana escreve em minúsculas,
evita aspas e desiste dos pontos finais. E, mais do que de frases, a Ana gosta,
sobretudo, de palavras soltas ou de parágrafos inteiros. E de letras de
músicas, também. A Ana é vintage, é clássica, é hipster,
é divas, francês, livros, sonhos de águas furtadas, amor, música, conversas de
sofá e mantinha até às tantas, chá, cinema e fotografias. A Ana é ternura e
doçura, mas, ao mesmo tempo, é o murro na mesa quando já chega e é a
sinceridade que dói se tiver de fazer uso dela. A Ana… A Ana inspira meio mundo
(até mesmo gente que à primeira vista nem faz parte do grupo dos
“inspiráveis”). É tão intensa na vida como na escrita - mas, na vida, falta-lhe
aquele pequeno filtro que separa a alma das letras. Ao vivo, a Ana é como o que
escreve, mas multiplicado por muitas vezes na energia, na emoção e no sentido.
A Ana é um poema dos que não rimam mas que, mesmo assim, fluem na perfeição. A
Ana confunde-se, baralha-se, decide-se, sente, evita, procura e encontra. Como
todos nós… Mas tudo nela é intenso. É absoluto. Nela tudo é mais inconstante e
mais variável e mais profundo e mais absoluto, e mais poético quando apetece e
mais cru quando tem de ser. A Ana é o que ela quer, como ela quer, quando ela
quer. A Ana, para mim, é a Annie Feliz.
Há que dizer que até de “porta-chaves” já a apelidaram, mas, para mim, a altura
e a doçura dela condensam-se no “Annie”. E Feliz é o final natural - para o
nome de apelido alterado e para este texto. Porque a Annie, a minha Annie,
sempre e acima de tudo, é Feliz. E sabe fazer Feliz quem deixa que fique perto
dela.
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