30 julho 2011

pegaram no meu dia não e trouxeram-nos para sines. com a roupa do corpo e as certezas a cambalear. prometeram-nos uma experiência incrível. cumpriu-se (gosto de promessas que cumprem). sines é em estado puro. as ruas são estreitas e as casas baixinhas. a liberdade ganha forma de gente. cada um é como cada qual e cada qual é o que lhe apetece ser. os velhinhos, na soleira da porta, sorriem a quem passa. quem está de visita veste calças esquisitas, usa cabelo despenteado e tem o olhar distante - raramente o afasta dos animais de estimação de ar vadio bem tratados. aqui é tudo verdade. com pouco faz-se muito. a música soa na essência. os artistas não são vedetas. do castelo vê-se o horizonte. e à medida que anoitece cheira a hortelã. há coentros com tudo. peixe fresco e boas conversas à mesa. as pessoas têm calma. arranja-se sempre tempo e o tempo não custa a passar. anda-se a pé e não cansa. espera-se e não angustia. o relógio marca as horas sem pressa e a solidão não assusta.

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