só ainda não escrevi obituários, como o outro do filme, porque ainda não calhou. e quê? afinal qual é o descrédito? um jornalista é tão jornalista a fazer breves como a escrever textos de oito mil caracteres. não vai ser pior por ter tirado o curso em viseu. não vai ter mais sorte no mercado de trabalho por ter entrado em coimbra. nunca me fiei nisso. sempre me guiei pela audácia. e posso dizer à boca cheia que tenho tido muita sorte. esta coisa dos rótulos sempre me fez um bocadinho de confusão. não percebo. a realidade custa a todos. mas quando é encarada por nós mesmos chega a fazer ferida. com direito a cicatriz. apesar de ser uma sortuda por ter tirado o curso no interior de portugal e quando pude me ter feito ao mundo, vulgo lisboa, há quem tenha estado no mesmo patamar que eu, mas que por vicissitudes da vida hoje sujeitam-se a dobrar camisolas e a vender sapatos ou com cursinhos disto e daquilo que o centro de emprego proporciona. vêem ao longe os objectivos de vida que pensavam ser possíveis em anos de faculdade. se estou a parecer irónica e a vangloriar esta minha ventura, desenganem-se. isto desregula realmente o meu sistema nervoso parassimpático. passei muitas horas a carregar tripés, a esticar microfones, a cortar sons e a paginar publicações mensais com pessoas com muita competência. e custa-me vê-las em casa a assistir ao desenrolar das vidas que seguiram caminhos muito diferentes dos seus. era isto tudo o que gostava de ter dito há uns dias a um avultado ego com quem me cruzei. mas não. preferi fazer-me de burra a ter que explicar que as coisas estão como estão porque sim. presumo que não voltará a acontecer. não porque a pessoa em questão me tivesse deixado sob o efeito de qualquer espécie de intimidação, mas porque livre-me deus, nosso senhor, de ousar voltar a trocar meio dedo de conversa com grandes passados jornalísticos que se recusam a entender que a juventude de hoje pode também ter valor, que julga as excepções pelos lugares comuns da televisão, fama e fortuna e nos atiram à cara uns infelizes no-meu-tempo-é-que-era sem mais nem para quê. não entendem que a malta hoje em dia também tem necessidade de se expressar. e que o facto de o jornalismo estar no estado em que está é porque alguém assim o exige. alguém que neste caso se multiplica por milhares e milhares de gentinha. que protesta, põe defeitos, todos os dias faz promessas de que nunca mais lê uma linha de certos e determinados pasquins, mas que sabe de cor os editoriais, os temas de capa e as manchetes. bons conselhos e palavras de motivação não. deitar abaixo é que é. e é por isso que dispensava na boa dois recibos verdes preenchidos para ver algumas dessas personagens enfiadas numa redacção deste jornalismo reles. com todo o respeito por esses tempos áureos que já lá vão, meus senhores, lixem-me mas dêem-me um beijo a seguir.
5 comentários:
José Raposo gosta disto!!!
E mais não digo!!! (jÁ FOI TUDO BEM DITO AQUI)
this is why i love girl... :)
tens vistas largas.e vais chegar onde a tua vista ainda não alcança ;)
porque raio gosto tanto de te ler?:)
Tudo verdade, Aninha! Corroboro =)
Passei pelo mesmo e fiz como tu, engoli em seco, mas a vontade era de atirar à cara que a juventude também tem valor e não pode nem deve ser catalogada. Mas nós estamos aqui para isso, para "lutar" contra eles e mostrar que, verdadeiramente, sabemos o que queremos e como queremos sem esquecer o que nos foi ensinado.
Beijo grande* Força na capital!!!
o post anterior é meu... esqueci-me de assinar :S
beijo
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