«há duas espécies de jornalistas: os que escrevem bem e os outros. há jornalistas que escrevem, outros que corrigem o que eles escreveram, jornalistas que falam pela rádio, ou os que estão atrás de uma câmara de fotografia ou são operadores de televisão. há jornalistas que passam horas mortas detrás de uma mesa de trabalho a recolher telegramas de agências, e os que não param de visitar esquadras. alguns roubam documentos ou oferecem bombons às secretárias dos funcionários e seduzem-nas para que atraiçoem o chefe. há jornalistas que se lançam de pára-quedas sobre lugares em conflito, outros que organizam peditórios humanitários e não faltam os dedicados à sociologia, estatística ou pesquisa. não são poucos os que se empoleiram na tribuna da política, ou no púlpito da sua própria religião, jornalistas deputados, jornalistas ministros, jornalistas evangelizadores, jornalistas detectives, jornalistas de escritório, jornalistas espertos e parvos, ignorantes e cultos, honestos e corruptos, jornalistas que preferem criar a notícia em vez de encontrá-la, ou os que se empenham em protagonizá-la eles, jornalistas que querem ser académicos, e outros que têm o prazer de ser levianos, romancistas, actores, ricos, poderosos, boémios… que têm em comum todos eles? repito-te, colega, a curiosidade, a maldita curiosidade de saber o que há detrás das portas, debaixo das carpetes, dentro das gavetas ou interior das camas. ou seja que não me perguntes outra vez se tens vocação, pergunta-te a ti mesmo se te interessa averiguar, quanto medo tens de saber, de descobrir, de conhecer, de investigar, de falar e, às vezes de calar. olha-te ao espelho e responde: é para ti isso mais importante que nada? mais importante do que o dinheiro, a família, a saúde e a tranquilidade? desfrutas a olhar? então és um jornalista.»
[juan luís cebrían]
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