14 outubro 2009

«não são as ideias nem as decisões que importam - interessam, mas não importam. é a convicção. é o convencimento. qualquer decisão é mais eficaz do que a inteligência. o pensamento é um luxo e um atraso.

há uma experiência que estão sempre a repetir. quando se remove o córtex a um bicho qualquer, ele deixa de pensar e de duvidar; de se sentir seguro ou não; de medir as oportunidades. e qual é a consequência? torna-se imediatamente o chefe dos outros bichos. os pensadores, no reino animal, são seguidores. foi o que aconteceu com as pessoas com as piores ideias do século xx: hitler, estaline, mao. foram as que tiveram mais poder e mais mal fizeram. porque não hesitavam e o nobre ser humano, hesitante, não resiste a quem não hesita.

cada vez mais se ouve dizer que qualquer decisão, por muito estúpida ("vou deixar crescer um bigode!"), é mais benéfica do que a dúvida mais inteligente. na verdade, a pessoa inteligente só decide por instantes. a decisão é emitida como os talões de estacionamento. pode (e deve) mudar a qualquer momento porque, felizmente, nunca se sabe. aprende-se a não saber. aprende-se a viver com isso. aprende-se a ser enganado, de vez em quando, quando se acerta nalguma coisa.

recuperamos de ter tido razão, naquela vez sem exemplo. passa-nos. esquece-nos. a convicção é convincente, mas é perigosa, por ser o contrário da inteligência e da condição humana, que é não ter bem a certeza de quase nada.

custa - mas assim é que é bonito»
[mec]

1 comentário:

Me, Myself and I disse...

Ainda estou a decidir se alguma coisa neste texto é verdade... :)