15 maio 2009

do que me apoquenta

uma pessoa com tempo tende a estar atenta a determinados pormenores da vida que antes lhe passavam ao lado dadas as circunstâncias psicossomáticas. estando eu a pertencer de momento ao grupo de privilegiados que tem tempo para tudo e mais houvesse (forçosamente, leia-se) tenho dedicado os meus dias a análises de comportamentos. não no sentido de querer perceber cada gesto, mas poder ter a visão de quem está em cena e o tipo de mensagem que quer passar. tenho-me deparado com dois tipos de gente: os que querem saber porque se preocupam e os que querem saber para arranjar pretexto de comparar situações e porque-há-sempre-alguém-que-esteja-na-mesma-fossa que eu, que o meu primo, amigo, vizinho da frente. o que se passa é o seguinte: não é espectacular ter que reinventar dias, actividades de lazer nem tão pouco obrigar a malta que anda na sua rotina a ter de passar mais horas comigo. não é. não é espectacular dar conta que se chega ao fim do dia e há horas a mais passadas em frente a um computador, a uma televisão, agarrada ao telemóvel. Não é espectacular fazer de conta que está tudo bem e responder sempre às mesmas perguntas, contar sempre a mesma história, mostrar o sorriso às mesmíssimas palavras de outrem: vais-ver-que-qualquer-dia-aparece-por-aí-a-oportunidade. qualquer dia, ora com certeza. a pessoa di-lo com as melhores das intenções (as que dizem). mas qualquer dia é muito vago. e sei de fonte limpa que já não é preciso talento, é preciso sorte. e assim não há palavra que conforte. não há amigo que valha. já não há paciência. e ainda agora começou.

1 comentário:

Me, Myself and I disse...

Experimenta vir ao Porto :)
Hang in there girl...
para ver se te distrais vai aqui (http://vimeo.com/4382611) e vê se gostas.
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