23 abril 2008

so empty inside, so busy out there

ontem perguntaram-me se tinha algum sonho. tenho. nada em concreto, apenas o essencial para um diariamente em pleno. isso não são sonhos. tu ambicionas a vida perfeita, tens a noção disso não tens? - perguntaram-me. tenho. a minha perfeição é o perfeito que passa despercebido no meio de tanta imperfeição. não é muito, garanto. seria o suficiente para sentir que a vida é realmente isto de se ir assimilando aos poucos os pequenos-grandes actos que mais tarde virão fazer a diferença. olho para mim no agora e sei exactamente o que quero ao mesmo tempo que duvido se será mesmo isso. olho para mim lá atrás carregada de certezas que se foram perdendo com o decorrer dos dias. olho para o futuro como quem está consciente de que há ainda muito a fazer para ser melhor, ao mesmo tempo que temo os dias de saudade do que ainda está para vir. queria o agora como o ontem sem razões nem porquês, sem explicações nem argumentos, só porque a vontade pedia. queria o ontem no futuro, vencer a razão, não saber explicar o porquê, mas arranjar mais que uma explicação possível para mostrar que há fortes argumentos para se ambicionar muito mais que dinheiro, fama ou poder. queria poder ter chegado a casa e dizer que não estou bem, que o meu riso tem sido um disfarce, barafustar porque de manhã saí à pressa e as coisas estão fora do lugar. tenho vivido à pressa e, aqui dentro de casa, está tudo fora do lugar. empurrei a porta. experimentei a solidão e não gostei.

1 comentário:

margarida disse...

"Olho para mim lá atrás carregada de certezas que se foram perdendo com o decorrer dos dias."

Partilho. Sentia-me mais eu no secundário, quando todas as portas se escancaravam ao futuro do que agora...Será que é isso que é crescer?