a aventura está quase a chegar ao fim. dias que passaram sem dar pelo passar das horas. horas que pareciam segundos. segundos aproveitados a todo o inquieto e indispensável tiquetaquear do tempo. o relógio era apenas acessório. a semana foi um amontoado de vivências que aumentaram o coração. o regresso a lisboa é sempre como se fosse uma primeira vez. uma aventura única que se mistura quase sempre com o reviver do que ficou lá atrás: os risos inocentes, os olhares curiosos, a sensação de liberdade. a liberdade que hoje surge atrelada à responsabilidade. os regressos têm sido por conta-própria. este regresso trouxe muito mais que sorrisos de quem vê futuros a florescer, trouxe competições interiores, dúvidas e quereres com todas as certezas do mundo em simultâneo, oportunidades desperdiçadas e possibilidades de um até já, trouxe a afirmação da independência e levou os medos da ausência e da solidão. trouxe o aguçar do desejo de querer ficar longe, onde saio à rua e ninguém sabe quem sou, o que tenho ou o que faço. trouxe o anoitecer sozinha num sétimo andar da cidade grande. trouxe o acordar e sentir a vontade de começar, de recomeçar, dar mais, querer mais, viver mais. fez-me (re)pensar em tudo o que podia ter sido e não foi. fez-me olhar para o futuro-próximo e aceitar o que o presente me está a oferecer. fez-me sentir no peito o prazer de saber que há quem queira saber. fez-me acolher um coração a palpitar sem sobressaltos. fez-me arriscar. fez-me ser incoerente. fez-me querer muito. fez-me dizer as palavras do génio num grito em silêncio: "uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certezas várias vezes no mesmo dia". mudei de opinião. e mudarei outra, outra e mais outra vez, sempre que o desafio tiver mais força que o ímpeto de não querer ser mais uma.
1 comentário:
mt bom
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