29 fevereiro 2008

se calhar é porque é dia 29 de fevereiro

apetece-me escrever-te. tive de voltar a este meio porque é a única maneira que me permite falar contigo. aqui garanto-me que me ouves, vês e sentes como se estivessemos frente-a-frente. tu a olhar para mim e a pensar que não devia falar tanto, a desejares que me cale ou então a falar-te sem dizer única palavra, a degustar cada silêncio meu intercalado com o que me dizias e fazias rir. tens-me andado a apetecer, mas tenho controlado a vontade de dar qualquer sinal. pior que saber que estou a voltar atrás com o que combinámos é saber-te tão bem como a certeza da tua indiferença. voltei do porto há pouco mais de duas horas. tive que voltar à rádio para tratar de papelada com o orientador de estágio. quando vim embora ele estava na jordânia com o cavaco. acabei por passar lá o dia. ainda há uma semana deixei aquilo e já sinto falta. daquilo que tu sabes que eu gosto. e gozavas com a minha voz de desenho animado. e com a minha cara de menina mimada. e quando amuava e tu me davas menos de cinco minutos para me veres rir e sorrir e voltar a rir e acabar a sorrir com o teu "eu já sabia", sem ser um sorriso forçado, daqueles que dizias gostar. se eu quisesse falar contigo agora era para te contar que ontem andei a vaguear pela baixa. santa catarina abaixo, santa catarina acima. lojas. animação de rua. castanhas assadas. é incrível o porto ao entardecer. acabei a rota na fnac. comprei a casa quieta e a jangada de pedra para temas de literatura contemporânea. já viste? vou estudar rodrigo guedes de carvalho e saramago. sempre li obrigada obras de autores já mortos. vergílio ferreira, camões, eça, camilo castelo branco. comecei a ler a casa quieta e estou a gostar. escrita complexa e tão interessante. gostava de ter ido à ribeira ontem. estava cansada demais. fui para casa cedo. se pudesse contava-te as apreciações que o antónio me fez. espero que me estejas a ler ainda. se te começar a falar na sónia araújo, talvez já te interesses. hoje estava de amarelo. tão simpática que chega a irritar. e lá estavam todos: banda, produtores, realizadora. todos à entrada do estúdio, em intervalo, quando passei para ir almoçar. até a fé notou a minha presença. perguntou se já estava com saudades ou se já me tinha arrependido de ter ido embora. fossem as coisas assim tão facéis. depois de almoço estive a falar a sério com o rui. mostrou-me a fotografia dos filhos. a sofia e o vasco. é lindo sentir o orgulho que um pai tem pelos seus miúdos. ele tem mesmo cara de safado, não tem?- perguntava-me ele. ela é a mais velha. tem 8 anos. café. redacção. a casa quieta. companhia num cigarro. voltar para casa. hoje não pude fazer zapping no rádio do carro. também não valia de muito barafustar. cheguei a casa há pouco mais de duas horas e meia, agora. estou aqui a escrever-te e sei lá onde tu estás. é sexta-feira à noite. é hábito saires. entre amigos e amigas, um copo, dois copos, três. andei quase metade do dia com uma terrível dor de cabeça. de manhã achei que era sono. não passou de tarde. habituei-me a ela que nem dei por ela passar. agora que penso nisso é que dou conta que já não me dói. nem sequer tenho sono. daqui talvez vá para o sofá ou para a cama continuar a casa quieta. estou a gostar. e estou a gostar de perceber que já não tenho dor de cabeça. e que já nem me apeteces assim tanto. ou que se calhar até já nem me apeteces nada. afinal de contas é exactamente isso que hoje somos. nada. nem sei o que estou aqui a fazer.

3 comentários:

Anónimo disse...

brigadinha por voltares a permitir-nos a nós leitores do teu blog compartilhar de vez em quando umas impressoezitas ou outras sobre aquilo que escreves. As boas vindas aos comentários e a continuação de boas vindas à ti que és uma menina fantástica e ainda continuação de boas vindas a uma parte de ti que eu sei k é importante...o gosto e o talento natural que tens pela escrita.

Bjinho**** eu, leitora assidua estarei smp aqui para ler e acompanhar os desenvolvimentos...

abreu disse...

Os Maias, um dos meus livros favoritos. Agora ando perdida entre O Livro do Desassossego, de Bernardo Soares e o livro Amor de Perdição, do grande Camilo... =)

Gostei imenso deste texto. *

Sr. Jeremias disse...

E tantos nadas andam pelo mundo... Tantos. Demais, se calhar.