a sensação é a mesma desde a primeira vez. sempre gostei de dramas. para mim um bom filme tem que ser muito mais que um mero conjunto de imagens encenadas que nos entretêm por uns instantes. sempre preferi filmes capazes de me transportar para o mundo real àqueles que nos fazem esquecer dele. million dollar baby. million dollar baby- sonhos vencidos. eram as palavras mais soantes que atravessavam o estúdio e as únicas que a minha atenção conseguiu deter, tal era a excitação pelo concerto dos da weasel no coliseu. foi a tarde mais longa passada na rádio. já não podia de cinemax, já não podia sequer ouvir os solavancos "million... millon dollar...mill...million dollar baby" da voz da jornalista intercalados com o click do rato vindo do computador, que cuidadosamente se ocupava da montagem da peça. lembro-me que a carla estava comigo. lembro-me da sua atenção. para ela tudo aquilo era novo. não só por estar a assistir à gravação de um programa de rádio, mas acima de tudo por se estar a falar de cinema. dias depois aparece-me com o dito filme. lembro-me de ela me dizer que tinha tudo a ver comigo e ia gostar. million dollar baby é um filme veemente, embora possa não parecer. na aparência fala-se de boxe. na essência fala-se de coragem, da perseguição de um objectivo de vida, o preenchimento, a conquista da glória. o sentido metafórico da palavra lutar acaba por colidir com o acto elementar do sonho de uma vida. um sonho condicionado pela idade, por falta de experiência, por preconceitos, por constantes "não" que nunca se dissiparam. não há nada a fazer quando temos a certeza que somos capazes, mesmo quando tudo à nossa volta parece não estar a nosso favor, mesmo só quando apenas nós mesmos acreditamos que pode ser possível. o primeiro passo é perceber que uma derrota pode ser iminente, mas que isso não é motivo para desistências. pelo contrário deve-se voltar as vezes que forem necessárias: sempre, sempre e sempre. a mensagem é exactamente deste eterno retorno. não deixar desfalecer a esperança de uma segunda oportunidade a que temos sempre direito, não descartar de viver o que por vezes parece perdido e que no fundo nos acompanha constantemente, camuflado por outros assuntos que fazem com que o que está à espera de ser (re)encontrado perca a importância. os sonhos dão trabalho. é preciso correr riscos. ir à luta e estar preparado para seja o que for. protegermo-nos a nós próprios é a regra. tudo não passa de um jogo, tantas vezes repito. há que saber jogar. o fair play é a dignidade de cada um. million dollar baby é intenso, profundo, marcante. cada vez que o revejo a sensação é a mesma. a garra e confiança para me manter na luta mistura-se com arrebatador final tão comum ao cruel mundo real. sinto-o sempre assim, como um soco certeiro no estômago. mais que uma lição de boxe, uma lição de vida.
2 comentários:
just to say hello to this little girl, little shinning soul.
es a Atitude, felicidades.
Ainda nao o vi, mas esta tua apreciação junta-se a tantas outras que já ouvi e me faz querer vê-lo, vamos a ver se o encontro num clube de vídeo mais perto de mim :P
bjinho
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